domingo, setembro 12, 2004

Top 10 Receitas com Alcool



Para começar as postagens especiais de 100 publicações do Han, meu querido colega de Puxa Cachorra Júlio Ponce. O Júlio agora tem outro blog, o Pança do Ponce onde escreve sobre comida (do gênero alimentício e não do gênero sexual...acho...) e por isso fez uma postagem especial sobre o assunto aqui pro Han.

foto da décima receita da lista, pra já atiçar a fome

Como diz um grande amigo meu, as quatro melhores coisas da vida são comer e viajar.  Na impossibilidade dos sentidos figurados de ambas, e na restrição financeira que limita o sentido clássico da segunda a ser exercido até no máximo o Terminal Rodoviário de Osasco, me restrinjo ao primeiro.

Comer é uma necessidade, mas também um prazer. E comer bem pode certamente te levar ao cardiologista à felicidade plena. Então aqui estão as 10 melhores receitas usando álcool (porque para quem não bebe, o álcool pode ser um delicioso ingrediente... pra quem bebe, é uma excelente desculpa para encher o carrinho de compras) (algumas podem ser vistas no meu blog – Na Pança do Ponce )

10. Beef and Guiness Pie (com Guiness ou alguma outra cerveja stout irlandesa)

Essa receita (que eu preparei usando uma outra stout), é uma bela desculpa para comer uma comida gorda e encher o caneco nas noite de frio. Cada torta é uma refeição por si só, e o cozimento lento deixa a carne bem macia e gostosa. Dá pra preparar com aquelas massas folhadas compradas prontas.

Link: http://www.epicurious.com/recipes/food/views/Beef-and-Guinness-Pie-230754

9. Whisky Glazed Carrots (com...Whisky, duh)

Quando preparei, a receita recomendava adicionar gengibre para dar um tom mais picante, mas essa é a receita básica. Basicamente uma cenoura cozida com um pouco de açúcar e whisky (eu usei um que mais parecia mijo de mendigo do que whisky, mas cada um compra o que a situação financeira permitir), fica um excelente acompanhamento para a receita anterior.

http://thepioneerwoman.com/cooking/2008/10/whiskey-glazed-carrots-major-league-yum/

8. Risoto de limão (com vinho branco)

Todo bom risoto (o meu é com um t só porque eu só uso vinho xexelento) tem que tem um cálice de vinho branco. A combinação com o limão pode parecer esquisita.. mas a acidez é contrabalanceada pela gordura (da manteiga, do azeite, do queijo). Fica levemente azedinho, mas bem equilibrado. Claro, outros ‘sabores’ podem ser adicionados, como cogumelos, salmão, etc... mas a receita básica já fica excelente como está (eu preparo sem menta nem alho)

http://www.foodnetwork.com/recipes/rachael-ray/lemon-risotto-recipe/index.html

7. Bisteca de porco com molho de zimbro (com conhaque)

Okay, vou ser sincero. Quando fiz essa receita, usei whisky. Mas como a idéia é flambar, imagino que o conhaque daria um sabor levemente mais adocicado. O prato em si, mesmo sem o molho, já fica bem crocante e saboroso. Mas o molho com zimbro (uma frutinha seca meio amarga e difícil de achar) deixa tudo mais incrível ainda. É frito na manteiga, e leva muito creme de leite... seu cardiologista vai ficar orgulhoso!

http://www.comidaereceitas.com.br/carnes/bisteca-de-porco-com-molho-de-zimbro.html

6. Entrecôte Marchand de Vin (com vinho tinto)

Okay, eu não sei o que é Entrecôte, mas a receita presta (e muito) com um belo contrafilé. Basicamente, um bifão com molho de vinho tinto. O molho, como fica bem reduzido, deixa um sabor que combina um bocado com o sabor da carne. Excelente para acabar com a garrafa numa refeição só.

http://www.deliaonline.com/recipes/cuisine/european/french/entrecote-marchand-de-vin.html

5. Pão de Cerveja (com Malzbier)

Esse pão lembra aquele pão que servem no restaurante australiano, aquele do refil infinito de Ice Tea de Cranberry. Meio doce, meio salgado, meio bêbado, e muito bom. Cai muito bem com a manteiga de mel (derrete a manteiga, taca mel, mistura bem, gela de novo, voilá!), e o uso da cerveja preta deixa uma cor bem atraente.

http://allrecipes.com/recipe/honey-oat-beer-bread/

4. Frango sentado na cerveja (com... hmmm... cerveja?)

Os vegetarianos e defensores dos animais provavelmente pirarão e irão pensar em vilipêndio de cadáver. Mas fato é que a idéia de cozinhar um frango inteiro com uma lata aberta de cerveja parece ao mesmo tempo rústico e genial. Deve ser excelente. Eu ainda não experimentei porque não aguento um frango inteiro não tenho churrasqueira sou preguiçoso pra c@r@lh*!

http://comidasebebidas.uol.com.br/receitas/2010/06/16/frango-sentado-na-cerveja.htm

3. Boozy Banana Parfait (com whisky)

Não é uma receita nova, mas uma adaptação de um Boozy Berry Parfait adaptado para nosso clima (e paladar) tropical. O açúcar mascavo e o iogurte de coco caem super bem com a banana. E o whisky dá o toque de finesse, pra encher a cara parecendo elegante.  Comendo 3 sobremesas, já vira open bar!

http://napancadoponce.blogspot.com.br/2013/07/banana-bacon-booze.html

2. Hallibut en papillote (com Champagne)

Não sou muito fã de peixes ( ou mulheres francesas), mas essa receita me deixou intrigado. A idéia da comida cozinhar no próprio caldo e os temperos usados me fazem querer fazer e experimentar. A recomendação de usar um champagne caro pra dedéu me desestimula de imediato!

http://frenchwomendontgetfat.com/content/halibut-ien-papillotei

1. Tomato- vodka sauce (com Vodka!!)

Só experimentei uma versão pronta desse molho. Mas uma bebida que não tem cor, não tem cheiro (além de álcool), nem sabor (além de limpa-vidros) dá uma diferença incrível num molho basicão de creme-de-leite com tomates. Vai ver é a concentração de álcool que embebedou minhas papilas gustativas e elas passaram a ficar sem critério. Mas eu repetiria! Skavurska!

http://allrecipes.com/recipe/tomato-vodka-sauce/


______________________________________________

Julio Ponce é funcionário público estadual (da variedade que trabalha de verdade), ex-pesquisador científico, ex-ongueiro, e atual procrastinador. Gosta um bocado de música (da boa e da ruim), de filmes (dos bons, dos ruins e os do Austin Powers) e das piadas (ruins). Nunca comeu churrasco grego e tem inveja de animais que voam. Já apareceu na TV por vontade própria e por vontade alheia. Pediu uma carta de recomendação para meu chefe, o governador, que deve chegar na sua mesa em breve. Ou não. 

PS: usei a descrição dele lá do Puxa Cachorra.

PS2: a minha é ainda mais engraçada :P

sábado, setembro 11, 2004

Sentimental casting – Minhas 10 novelas prediletas


Continuando as comemorações de 100 posts aqui no Han o segundo convidado é Fábio Leonardo Brito (que é dono do blog Super Cult, além de professor universitário, cliquem no link e prestigiem o trabalho dele). Conheci o Fábio por meio do Puxa Cachorra, ele era um fã do blog e acabamos entrando em contato e tecendo uma amizade. Como sabia que o cara é fissurado por novelas (e confesse, você já viu algumas, ou ainda vê) pedi a ele que escrevesse uma lista para o Han sobre esse tema. Eis o resultado:

Sinhozinho Malta, Viúva Porcina e Roque Santeiro
felizes antes de saberem que não entraram na lista

Passei metade da minha vida na frente da TV. Desse tempo, pelo menos mais da metade foi assistindo novelas. Sempre fui um aficionado por telenovelas, desde moleque, a despeito de qualquer preconceito machista. Na minha casa, ver novelas sempre foi uma instituição que atingia a família inteira – bem como comentá-la na mesa do jantar, ou conversas em qualquer nível. Com esse sentimento, nutri um desejo, embora não muito trabalhado, de um dia atuar como roteirista e/ou crítico de TV. Enquanto esse dia não chega, blogo sobre o assunto – dentre outros – no SuperCult, minha caverna virtual, que linkei aí acima. E, a convite do Arthur Malaspina, vos fiz essa lista com as 10 novelas do meu “sentimental casting”. Boa leitura!

10. A Viagem (1994)



O reconhecimento de que a vida terrena é apenas uma etapa na evolução se transforma em uma história de amor, narrada por Ivani Ribeiro, e que tem como cenário o Nosso Lar. Essa premissa, que já tinha se transformado em sucesso na TV Tupi em 1975, retorna, em um belo remake da Rede Globo, em 1994. Lembro que eu tinha 5 anos de idade quando a primeira versão passou, mas a novela já me despertava interesse. As memórias mais fortes eram o temor em torno das aparições do espírito atormentado de Alexandre (Guilherme Fontes), e o domínio que ele exercia sobre alguns personagens, como o ex-cunhado Téo (Maurício Mattar), Guiomar (Laura Cardoso), sogra do seu irmão Raul (Miguel Falabella), e Tato (Felipe Martins), filho do advogado que o acusou em vida, Otávio Jordão (Antonio Fagundes); bem como o mistério em torno do mascarado Adonai (Breno Moroni), um homem de rosto desfigurado, que se esconde por trás de uma máscara e uma roupa de pierrô. A bela interpretação de todos os atores, especialmente a história de amor além-vida terrena de Otávio e Diná (Christiane Torloni) foram a grande marca dessa história.

9. Anjo Mau (1997) 



Descobri Anjo Mau quando essa novela reprisou no Vale a Pena Ver de Novo, em 2003. Claro que tinha conhecimento de sua exibição, mas, na época, não lhe dei atenção. Nessa reprise, no entanto, o sucesso escrito por Cassiano Gabus Mendes em 1976, que ganhara nova versão pelas mãos de Maria Adelaide Amaral em 1997, vinha para mim como um dos maiores brilhos de Glória Pires, atriz que eu, embora conhecesse desde sempre, passava a observar com mais atenção. A trama, originalmente proposta como a inescrupulosa escalada social de Nice (Glória Pires), uma babá que fará de tudo para se casar com o patrão Rodrigo (Kadu Moliterno), se torna uma grande história de amor, e a anti-heroína da trama ganha contornos de mocinha, sendo salva da morte, prevista para ela no último capítulo. Para os menos envolvidos com as discussões de teledramaturgia, não é tão divulgada a seguinte curiosidade a respeito da novela: foi este o primeiro trabalho de colaboração do roteirista Vincent Villari, hoje um dos autores principais de Sangue Bom, então com apenas 16 anos.

8. Um Anjo Caiu do Céu (2001)



As novelas de Antonio Calmon, com seus núcleos juvenis e suas histórias leves, sempre me atraíram para a TV às 19h. Essa em especial: Um Anjo Caiu do Céu pode ser considerado o grande clássico do autor. Criativa, leve, divertidíssima, muito bem dirigida e atuada, a história deu brilho a Caio Blat – não mais um estreante, apesar de muito jovem – e Tarcísio Meira, que se reinventava em um papel de comédia. A relação de João Medeiros (Tarcísio Meira), um fotógrafo brasileiro que sofre atentado em Praga, por parte de um grupo neonazista, com sua família é revisada quando este tem uma experiência de quase-morte, e passa a receber a companhia do atrapalhado anjo Rafael (Caio Blat), que o ajudará a colocar nos eixos sua relação com a ex-mulher Naná (Renata Sorrah), e abrir os olhos desta para as cafajestagens de seu marido atual, Tarso (José Wilker). Também era função de João, com a ajuda de Rafael, arrumar a vida de suas filhas: Duda (Patrícia Pillar), que vive uma vida e um casamento incompleto por ter perdido o filho mais velho, Kiko (Jonatas Faro); Virgínia (Deborah Evelyn), magoada com o pai pela sua distância, quando ela sofre um acidente e fica manca; e Duda (Débora Falabella), que não sabe ser sua filha, e vive atormentada pela mãe, a tresloucada estilista Laila (Christiane Torloni). O tema da divertida abertura da novela era uma versão animada do Pato Fu para “Meio Desligado”, sucesso d’Os Mutantes.

7. Cordel Encantado (2011)



O imaginoso universo cultural nordestino ganha vida nesse belo trabalho de televisão de arte. Cordel Encantado, uma novela que misturava literatura de cordel, contos de fadas, histórias tradicionais do Nordeste e tramas de capa-de-espada, dá vida à história dos nobres de Seráfia, um reino europeu, cuja princesa herdeira, Aurora, foi dada por morta quando criança. Aurora, na verdade, foi criada como Açucena (Bianca Bin), uma moça simples, habitante da nordestina cidade de Brogodó, perdidamente apaixonada pelo valente Jesuíno (Cauã Reymond), que, embora também não saiba, tem a nobre linhagem sertaneja dos cangaceiros, por ser filho do temido Capitão Herculano (Domingos Montagner), capitão de um bando. Um show de efeitos especiais na guerra de Seráfia, que marcou o primeiro capítulo da novela, um belo texto, poético, cheio de significados, e uma trilha sonora absolutamente condizente, fazem dessa uma de minhas novelas prediletas.

6. A Próxima Vítima (1995)


“Todos os personagens vão morrer.” Essa era a primeira chamada que nos indicou que uma novela nova estrearia em 1995. A Próxima Vítima começava com uma campanha que fazia de seus personagens procurados pela justiça, o que, na minha cabeça de garotinho de 6 anos na época, era assustador. Corria chorando pros braços da mãe sempre que via isso na TV. Anos mais tarde, mais especificamente em 2001, eu assistiria à novela na íntegra no Vale a Pena Ver de Novo, e me depararia com a genialidade de Silvio de Abreu, em bolar aquela que, talvez, seja a melhor novela policial de todos os tempos. Um serial killer, que poderia ser qualquer um dos personagens, fazia vítimas através do envio de uma folhinha com um horóscopo chinês. Mais do que saber quem seria o assassino e seus motivos, parava o público pensar em quem seria a próxima vítima. O autor resolveria esse intrincado mistério em um último capítulo que pararia o país. Na primeira exibição, o assassino era Adalberto (Cecil Thiré). Na versão exibida no Vale a Pena Ver de Novo, ele seria Ulisses (Otávio Augusto). Em ambos os casos, a trama se explicava de maneira muito bem amarrada.

5. Da Cor do Pecado (2004)


Gostei de Da Cor do Pecado desde o primeiro capítulo. A novela me parecia tudo que, naquele momento, eu queria assistir: uma história de amor, regada a um drama entre pai e filho, rodeada de alguns tipos diferentes de comédia. Essa, certamente, era a marca da trama de estreia de João Emanuel Carneiro: um drama central, magistralmente urdido, e centrado na história do atormentado Paco Lambertini (Reynaldo Gianecchinni), dividido entre Preta (Taís Araújo), o amor que conhece em São Luís (MA), e Bárbara (Giovanna Antonelli), sua noiva, que, ele não desconfia, o trai com o fotógrafo Caíque (Tuca Andrada). Em torno da história de Paco, movimentada, também, por suas constantes brigas com o pai, o magnata Afonso Lambertini (Lima Duarte), giram as histórias de Helinho (Matheus Nachtergaele), um vidente de araque de São Luís; Eduardo (Ney Latorraca) e Verinha (Maitê Proença), pais de Bárbara, ex-ricos que querem sair da pindaíba a qualquer custo; e da família de lutadores Sardinha, liderada pela “Mamuska” Edilásia (Rosi Campos), que se relacionaria intimamente com a trama central, a partir do segredo que aproxima Paco de Apolo (também Reynaldo Gianecchinni), filho mais velho de Edilásia.

4. A Vida da Gente (2011)


Desde sempre, tive uma atração por histórias de cumplicidade entre amigos e irmãos. Talvez por ser filho único, e experimentar pouco dessa experiência, sempre me apaixonei pelas histórias que envolviam esse tipo de premissa. A Vida da Gente, portanto, me surgiu como uma agradável surpresa. No início, todos tomávamos a trama de estreia da autora Lícia Manzo como o trabalho de um “Manoel Carlos de saias”, o que não deixou de fazer algum sentido. Mas Lícia, ao longo do trabalho, muito embora demonstrasse muito do estilo familiar de Maneco, se revelava uma autora particular: sua história, mesmo bastante cotidiana, tinha bons ganchos, e não deixava o público a esperar por coisas novas. Os conflitos se desenrolavam de maneira natural, mas sempre consequentes. O foco da história entre o triângulo amoroso formado por Ana (Fernanda Vasconcelos), Rodrigo (Rafael Cardoso) e Manuela (Marjorie Estiano). Ana, após um acidente de carro, fica em coma por anos, e sua filha recém-nascida é criada por Rodrigo, o pai, e Manuela, irmã de Ana. Quando Ana desperta, encontra um mundo bastante diferente, e tem dificuldades para se reintegrar. No entanto, para além da história de amor em torno de Rodrigo, o grande foco era o amor fraternal entre Ana e Manuela, por quem o público de fato torcia para que se chegasse a uma reconciliação no final.

3. Ti Ti Ti (2010)


Há três anos, estreava um remake. Mas chamar Ti Ti Ti de remake seria, no mínimo, uma definição incompleta. Era, de fato, um trabalho de Maria Adelaide Amaral, onde eram reatualizadas duas novelas de Cassiano Gabus Mendes. Plumas e Paetês, de 1980, e Ti Ti Ti, de 1985. O universo dramático da primeira, da qual foi retirada as trama envolvendo os protagonistas Marcela (Ísis Valverde) e Edgar (Caio Castro), bem como a história da industrial Rebeca (Christiane Torloni), foram alinhavadas com a comédia inteligente da segunda, centrada na disputa entre os “inimigos de infância” André Spina (Alexandre Borges), que enriqueceu sob a alcunha de um personagem, o estilista gay Jacques Leclair, e Ariclenes Martins (Murilo Benício), um “pobre diabo”, que muda de vida ao se tornar o também estilista Victor Valentim. Isso já seria o suficiente para a delícia da história, mas a trama de Adelaide não parou por aí. A novela foi uma grande farra, uma homenagem ao universo da teledramaturgia, recheada de metalinguagens e diversas outras formas de referências. O brilho da trama, além dos protagonistas, ficou por conta de Jaqueline Maldonado (Claudia Raia), personagem quase 100% modificada em relação à versão original, que explorou todas as facetas da atriz que a interpretava.

2. A Favorita (2008)


Novela das nove, com um drama-chavão (duas mulheres, uma rica e uma ex-presidiária, disputam uma filha), regado a um tango na abertura (eletrotango, mas um tango), e protagonizada por Patrícia Pillar, Claudia Raia e Mariana Ximenes. Receitas para uma novela mais-do-mesmo, certo? Errado! A Favorita, que começava como uma novela com todos os clichês do folhetim, teve a ousadia de dizer ao público que era diferente de tudo que já se vira até ali. A indagação sobre qual das duas protagonistas – Flora (Patrícia Pillar) ou Donatela (Claudia Raia) – dizia a verdade sobre o assassinato do jovem milionário Marcelo Fontini, pelo qual Flora foi acusada e passou 15 anos presa, movimentou a opinião pública, e chocou a todos com a revelação que Flora era, verdadeiramente, a assassina, e a grande vilã da trama. Lembro como se fosse hoje do dia em que assisti à revelação de Flora. Estava vendo à novela com meus pais. A revelação ocorreu no final do primeiro bloco do capítulo. A novela foi para os comerciais, e passamos todos os minutos até seu retorno calados, mudos, olhando para a TV.

1. O Clone (2001)


Calculo que O Clone tenha sido a primeira novela que me “pegou de jeito”. O texto de Glória Perez, talvez em seu trabalho mais ousado, aliado à direção de Jayme Monjardim, que lhe deu um tom mágico, a novela foi uma grande poesia, que aliou o então misterioso universo islâmico aos avanços da ciência, numa mistura que, ao mesmo tempo, causou incômodo e fascínio. A história de Lucas e Diogo (Murilo Benício), gêmeos, mas profundamente diferentes; do amor impossível do primeiro pela muçulmana Jade (Giovanna Antonelli); da ousadia do geneticista Augusto Albieri (Juca de Oliveira), de desafiar o divino e criar, em Léo (Murilo Benício), clone de Lucas, o Diogo morto, foram as armas para uma novela que parou o Brasil. Extasiante, para mim, foi assistir novamente a esse clássico no Vale a Pena Ver de Novo, em tempos recentes.


______________________________________________

Confesso que já vi bastante novela, apesar de fazer muitos anos que não assisto nenhuma (a não ser eventualmente na casa da Daniela QUE ASSISTE TODAS), mas minhas favoritas são Roque Santeiro, A Próxima Vítima e O Cravo e a Rosa.


sexta-feira, setembro 10, 2004

Top 10 quadrinhos do Questão


Continuando as comemorações do aniversário de 100 posts do Han, o próximo a dar o ar da graça é o Olavo Lima. Conheci o Olavo há alguns bons anos no antigo (e saudoso) forum F.A.R.R.A. Para quem não sabe era o maior forum especializado em quadrinhos do Brasil e - acredito - um dos maiores de qualquer gênero. O F.A.R.R.A. foi um lugar muito especial para mim pois era um ambiente acolhedor e propício para discussões dos mais variados assuntos. Fiz alguns bons amigos lá e o Olavo é um dos que mantive contato até hoje (o forum acabou por questões de direitos autorais já há alguns anos). Como nos conhecemos por conta de quadrinho,como ele é até mais fissurado nisso do que eu, tendo inclusive já escrito algumas HQs,  e como ele possui um blog dedicado ao tema, A Toca do Coelho, pedi para que ele falasse sobre seus 10 quadrinhos favoritos. eis a lista:

Ops, antes de irmos para ela, vale esclarecer. O Olavo sempre se utilizou do nick "Questão" nos foruns da vida, por isso achei bacana colocar esse nome na postagem. Pronto, podem ir para a leitura ;)




10 –Maus - Art Spiegelman 

Narra a luta de seu pai, um judeu polonês, para sobreviver ao Holocausto. O livro também fala do relacionamento complicado do autor com seu pai e de como os efeitos da guerra repercutiram através das gerações de sua família. Em 1992 Spiegelman foi agraciado com um "Prêmio Especial Pulitzer": tal categoria foi proposta pois o comitê de premiação não se decidiu se categorizava Maus como uma obra de ficção ou biografia.

Spiegelman retrata diferentes grupos étnicos através de várias espécies de animais: Os judeus são os ratos (em alemão: maus), os alemães, gatos, os franceses, sapos, os poloneses, porcos, os americanos, cachorros, os suecos, renas, os ciganos, traças, os ingleses, peixes. O uso de antropomorfismo, uma técnica familiar em desenhos animados e em tiras de quadrinhos, foi uma tirada irônica em relação às imagens propagandistas do nazismo, que mostravam os judeus como ratos e os poloneses como porcos. A publicação na Polônia teve de ser adiada devido a este elemento artístico.


9– Batman o cavaleiro das trevas – Frank Miller 

Mostra um Batman aposentado e envelhecido que vê um mundo totalitarista onde os heróis trabalham para o governo em segredo,um mundo corrompido e sem esperança,controlado pela mídia,um mundo completamente liberal mas incapaz de perceber o quão nocivo é para si mesmo, Batman volta as ruas envelhecido em meio ao caos,uma obra importante que trouxe Batman de volta a mídia.


8 – A Queda de Murdock – Frank Miller

Talvez uma das historias mais marcantes de Miller, mostra a queda do Demolidor, sendo traído e destruído pelas coisas que ele mais valoriza, também elevou o rei do crime a um novo patamar, uma das poucas vezes que se viu um demolidor  ou herói  tão humano.

 7– Marvels – escrita por Kurt Busiek e ilustrada por Alex Ross

Uma das HQs mais humanas já feitas, conta a historia de um fotografo e sua jornada desde a segunda guerra até a era moderna dos heróis, acompanhando super humanos e suas maravilhas, vendo a era de ouro até os dias sombrios, fala sobre preconceito usando magistralmente a metáfora dos mutantes no universo Marvel e a visão de pessoas comuns sobre os conflitos épicos as quais observam, talvez seja  uma das maiores obras do universo Marvel.

6– Reino do amanhã – escrita por Mark Waid e ilustrada Alex Ross

Em uma época em que os quadrinhos estavam mais sombrios e violentos, onde heróis que esquartejavam pessoas eram os mais idolatrados pela juventude, Mark Waid e Alex Ross  criam a critica definitiva para os heróis violentos, um mundo onde os antigos e considerados antiquados heróis estão aposentados, onde os novos e violentos heróis exterminaram todos os vilões e transformaram o mundo em seu playground (também uma critica direta aos heróis como o Authority que saiu da revista Stormwatch), os heróis aposentados agora devem voltar e tentar evitar literalmente o fim do mundo.


5– Black Hole – Charles Burns

Black Hole é uma HQ alternativa que conta a saga de jovens que são infectados por um vírus transmitido sexualmente, que dá a eles alguma habilidade bizarra, eles são divididos em dois grupos os cuja aparência é visível a bizarrice e os outros que não, Black Hole para mim é a melhor HQ sobre AIDS e doenças sexualmente transmissíveis, mostra jovens que mal sabem sobre si mesmos, sua sexualidade ou maturidade sendo tragados a um abismo sem fim, excluídos da sociedade e sofrendo preconceito pela doença que pegaram.

4 – The Dreamer/O Sonhador – Will Eisner  

The Dreamer conta a historia de um jovem rapaz que sonha em trabalhar em um ramo novo e que nem tinha industria ainda, os quadrinhos. Nos anos 30 ele conhece aqueles que partilham de seu sonho e aqueles que tem sonhos próprios, essa historia real e com nomes fictícios captura o drama e euforia da vida dos estúdios caseiros de quadrinhos de Nova York quando os quadrinhos encontraram a America para darem  á luz a um novo meio artístico,mostra os primórdios da aurora da industria dos quadrinhos,uma poderosa historia humana que confirma as aspirações do sonhador em nos.

3 – Planetary – Warren Ellis

Com apenas 27 edições Warren Ellis mostra quase tudo do que os quadrinhos são capazes destrinchando um incrível universo desconhecidos e impossível pelos olhos da organização planetary, que viaja pelo mundo como os arqueólogos do impossível em historias que homenageiam a literatura desde as historias pulp até os dias atuais sem cair na mesmice, recomendado para qualquer um que quer começar a ler quadrinhos ou para convencer algum amigo seu a não parar de ler quadrinhos.

2 – Sandman – Neil Gaiman

Com esse universo Neil Gaiman deu um novo fôlego aos quadrinhos, criando toda uma mitologia própria, mas quando Neil começou era apenas para fazer uma homenagem a um dos seus heróis favoritos da era de ouro Sandman, mas acabou criando um universo rico e que ainda hoje faz parte da mitologia da DC comics que gerou outras HQs escritas pelo próprio Neil como A morte e livros da magia.

1 - Watchmen - escrita por Alan Moore e desenhada por Dave Gibbons

A trama de Watchmen é situada nos EUA de 1985, um país no qual aventureiros fantasiados seriam realidade. O país estaria vivendo um momento delicado no contexto da Guerra Fria e em via de declarar uma guerra nuclear contra a União Soviética. A mesma trama envolve os episódios vividos por um grupo de super-heróis do passado e do presente e os eventos que circundam o misterioso assassinato de um deles. Watchmen retrata os super-heróis como indivíduos verossímeis, que enfrentam problemas éticos e psicológicos, lutando contra neuroses e defeitos, e procurando evitar os arquétipos e super-poderes tipicamente encontrados nas figuras tradicionais do gênero. Isto, combinado com sua adaptação inovadora de técnicas cinematográficas, o uso freqüente de simbolismo, diálogos em camadas e metaficção, influenciaram tanto o mundo do cinema quanto dos quadrinhos.




_________________________________________________

Poucas coisas a comentar sobre as excelentes escolhas do Olavo, a maioria está entre minhas favoritas pessoais, mas trocaria The Dreamer por Ao Coração da Tempestade, outra HQ autobiográfica de Eisner que me toca mais.

quinta-feira, setembro 09, 2004

Meus dez jogos de videogame favoritos



E hoje é o dia da quarta lista de comemoração do Han! O convidado de hoje é o queridíssimo Fábio Gerônimo, meu ex-parceiro de Puxa Cachorra e dono do blog Muralhas de Tróia (que você tem que ler AGORA). Conheci o Fábio na faculdade, ele era meu veterano e nos demos bem imediatamente por conta da paixão compartilhada por cultura nerd, animes, tokusatsus e - principalmente - videogames. Nossa, quantas aulas perdemos na cantina conversando sobre essas coisa... bom, melhor nem pensar nisso. Pedi a ele que escrevesse então uma lista sobre games, os favoritos dele e ele produziu esse guia, leia e diga se concorda ou não com as escolhas.

Crono desmaiou quando soube que não entraria na lista

Foi difícil deixar algo de fora... fiz um cruzamento entre “importância histórica e cultural” na minha vida e “quantidade de vezes que joguei”, pensei em critérios, em séries que mais me marcaram, tipos de jogos que mais jogo e, mesmo assim, eu tive que deixar maravilhas de fora (perdão Chrono Trigger, perdão). Uma lista dessas nunca é definitiva, Mas acho que ela é o que mais próximo chego de um top 10.

10. Soul Edge/Blade (PSX)

E antes de Soul Calibur, existia Soul Edge! Muitos outros jogos da série poderiam entrar aqui, mas a mera lembrança daquela sequência de abertura já traz à memória o porquê até hoje eu sou fã dessa série. Eu ainda recito, a plenos pulmões, e me arrepio quando ouço o locutor dizer “Transcending History and the World; A Tale of Souls & Swords Eternally Retold”!



09. The King of Fighters 97 (Arcade/PSX)

Eu gosto de (quase) toda a série, mas esse jogo era aquele em que eu dominei todos os movimentos (até do Goro Daimon!), que eu jogava no fliperama e batia até naqueles moleques que só usavam o Iori. Aliás, eu me orgulho até hoje de dar Perfect na galera com o meu time clássico: Ryuji Yamazaki, Ralf e Kim Kaphwan. Sim, eu jogava com o Yamazaki e, posso dizer, bem pacas.



08. Paciência (qualquer aparelho que tenha)

Eu jogo mais Paciência que qualquer coisa nessa lista. É o primeiro e o único aplicativo instalado no meu celular pelo qual eu paguei assim que comprei. Eu ainda jogo ele nos intervalos, num PC que é capaz de rodar Crysis 3. Sem mais.



07. Donkey Kong Country 2 (SNES)

Eu poderia colocar todos os três jogos do Super Nintendo na lista, mas coloquei este especificamente pois, dos três, é o meu favorito. Zerei tudo, DKs, mundo secreto, etc. Mais de uma vez... aliás, acho que mais de umas 10 vezes.



06. Kirby Super Star (SNES)

Kirby é uma bola rosa, fofa e que engole outros seres para absorver seus poderes e defende o mundo dos sonhos do mal. Se alguém duvidar da sua masculinidade ou te chamar de crianção por jogar Kirby, pode agredir a pessoa, está na constituição.



05. Street Fighter 2 (Arcade)

Eu devia ter uns 6 anos quando aprendi a associar um movimento em um controle com um golpe com esse jogo, o clássico, num fliperama na rodoviária de Itapetininga. Lá eu escolhi pela primeira vez o loirão americano de cabelo engraçado, e descobri que se eu segurasse a alavanca para trás e depois a colocasse para frente e apertasse qualquer um dos três botões de cima, ele soltava um poderoso “Alec Ful”. Até hoje, ele é meu personagem favorito na série, e até hoje os jogos de luta são meu gênero favorito por conta desse momento.



04. Super Metroid (SNES)

Super Metroid é um jogo perfeito. Sem qualquer diálogo, exceto a introdução, o jogo contava uma narrativa que até hoje é modelo para qualquer, QUALQUER jogo de sci-fi e exploração. O clima, a trilha sonora e o final surpreendente me fazem posicioná-lo à frente de jogos que eu joguei mais, porque Super Metroid ainda hoje é sinônimo de perfeição.
A abertura, só pra convencer quem não jogou a jogar:



03. Super Mario RPG (SNES)

Eu tenho vários motivos para esse jogo aparecer aqui, mas eu vou dizer apenas um: para poder prosseguir nele e assimilar elementos da história, eu comecei a estudar mais inglês. Eu considero que meu conhecimento da língua inglesa, ferramenta de trabalho hoje em dia, é muito culpa da minha vontade de zerar esse game. E, claro, tem aquela batalha de em torno de duas horas contra o Culex – que, com seus cristais, somava 12.396 de vida –, sem itens, com todos mortos, usando apenas o Mario com a Lazy Shell tirando entre 1 a 60 pontos de vida dele por ataque. Nada foi mais heroico em toda minha vida de gamer que isso.



02. Metal Gear Solid (PSX)

Quando eu comprei meu Playstation, ele ainda era aquele de canhão zoado que tinha que virar de ponta cabeça o videogame. Ele veio com um CD de demos de jogos, dos quais o que eu mais joguei era justamente o demo de MGS. Eu joguei mais esse demo que praticamente todos os jogos dessa lista, à exceção de Paciência. E até hoje, Psycho Mantis é o melhor chefe já criado para qualquer jogo de vídeo game. QUALQUER UM.



01. Red Dead Redemption (XBOX360)

Esse é o único jogo dessa lista que faz parte dessa geração de consoles mais recente, além de ser o único posterior aos anos 2000. Isso diz muito sobre essa geração, mas a aparição dele aqui diz muito mais sobre o jogo em si. Eu já me emocionei com filmes, de chorar como uma criança. O único, único jogo cujo final me emocionou a um ponto similar foi esse. Quando John Marston abre as portas do celeiro... bem, eu não vou dar spoiler, mas é algo que se aproxima muito do que os gregos chamavam de catarse. Eu já era fã de faroeste, já gostava dos jogos estilo GTA, mas nada me preparou para os vários meses andando a cavalo na fronteira entre o México e os EUA, em busca de cumprir meus objetivos, jogando poker com bandidos, laçando cavalos e participando da revolução mexicana. Red Dead Redemption não é um game, é uma experiência de vida. Ele é um exemplo, ainda, de que não é necessário sacrificar gameplay para se contar uma boa história: todas as cenas importantes da história são jogáveis e suas decisões realmente influenciam o andamento do jogo. Ele é o jogo que me fez ter esperanças de que as coisas vão melhorar nessa geração. Todo ser humano gamer que gosta de uma boa história precisa jogar esse jogo.


___________________________________________

Boa a lista né? Difere muito do que seria uma lista minha, não direi aqui quais seriam meus escolhidos para não queimar pauta, mas só digo que Chrono Trigger não seria esquecido ;)


quarta-feira, setembro 08, 2004

10 canções sobre amor e perda



Chegamos ao quinto dia e à quinta lista da nossa comemoração. Para esta lista convidei meu amigo de mais longa data, o Thiago Augusto Corrêa. Conheci o Thiago na escola, mais precisamente no final do primeiro colegial quando mudei para o colégio onde ele estudava. Daí pra frente sempre fomos amigos. Fizemos faculdade juntos, moramos juntos (heterossexualmente falando) durante o período da faculdade e tivemos um blog juntos, o Quatro Patacas (que também contava com o Vinicio e o Leandro, que também participarão desta comemoração). Também participamos juntos do podcast de literatura Cego em Tiroteio ano passado (que voltará eventualmente) e escrevi durante um tempo sobre música para o blog dele, Todo Mundo Mente (que infelizmente também está parado). Atualmente ele vem se dedicando a dois projetos, o blog Golfinhos do Himalaia e o Vortex Cultural, para onde escreve notícias e resenhas. Não me prolongarei mais, já que o próprio Thiago explica sobre o convite para escrever a lista abaixo. Boa leitura.

Spoiler: tem uma música do Roberto na lista
Spoiler 2: não é desse disco (mas gosto mais dessa capa)

Convidado pelo Arthur que me pediu gentilmente para produzir uma das dez listas que comemoram a centésima publicação do Han Atirou Primeiro, elaborei uma lista temática que surgiu ao acaso após ouvir uma das canções que a compõe.

Se a música é primordialmente uma manifestação emotiva, há muitos movimentos amorosos nela e, por consequência, de relações que terminam. A lista não tem nenhuma ordem prioritária e se baseia inicialmente em meu gosto particular para elaborar este panorama que apresenta, em diferentes pontos de vista, compositores versando sobre o amor e perda.

Agradeço a oportunidade principalmente pelo prazer que tenho ao falar sobre música, uma das artes que gosto mas que escrevo muito pouco.


10 - Maria Rita, Santa Chuva



Lançado no primeiro álbum da cantora, em 2003, Santa Chuva é uma das primeiras composições de Marcelo Camelo entregue a outra interprete. O cantor faria gravação posterior em seu primeiro disco solo.
Mesmo que hoje, muito por conta dos fãs, retire-se parte do talento de Camelo como compositor, a canção é um triste retrato sobre um casal e utiliza-se do diálogo – um elemento presente em diversas de suas canções – para intensificar a emoção.

Em shows, Maria Rita produzia um espaço cênico para interpretá-la. Dois microfones no palco e uma luz azul a direita e uma rosa a esquerda, dando voz para cada parte da relação. Sua interpretação intensifica-se com a angustia final, ressaltando a briga do casal que, como em qualquer discussão real, começa equilibrada e explode em calor.

A chuva traduz-se como o elemento superior que cai sobre a relação como um ato final, explícito em um dos melhores versos: não há porque chorar por um amor que já morreu.


09 - Sexed Up, Robbie Williams



Robbie Williams tem grande popularidade na Inglaterra, seu país natal, mas nunca conseguiu implacar uma carreira no exterior além de seus hits de sucesso. Sexed Up, de Escapology, 2002, talvez tenha sido o maior deles, sendo trilha de novela brasileira também.

A balada é irônica do começo ao fim encontrando na morte do relacionamento, no silêncio entre as partes cientes da danação. Sem comunicação ativa, sobra espaço para a amargura que vem em ironia em um refrão que eclode uma agressão verbal, negando com raiva a morte do amor. 

Como na canção anterior, sua construção caminha para um final mais violento que seu inicio. Evoca o poeta latino ao afirmar que encontrará em outras pessoas alguém igual a amada. Inferindo que o amor não é tão único como se espera.

Williams tem bom senso das canções que faz. Outra boa canção, neste caso, sobre um amor que funciona, é She´s The One, com um clipe que narra uma interessante história que também se destaca.


08 - A Maça, Raul Seixas



A tristeza irônica como proteção e expiação do fim do amor prossegue nesta canção de Raul. Música que nunca interpretei como um discurso a favor do amor libertário. Talvez a visão esteja errada, mas sempre ouvi a canção imaginando um homem destilando a raiva de alguém que não deseja um amor a dois e que acredita que a libertação é a abertura a outros.

Diante desta afirmação, a maça seria a representação de que todos são iguais. A canção integra-se com a anterior pela sensação que anula a singularidade de cada individuo, mais normais do que parece, mais substituíveis do que pensa, desde que se goste daquilo que eles proporcionem.

O amor é subjugado pelo próprio desejo. A maçã é também a representação de um fruto proibido, é o próprio desejo e privar-se do desejo seria anular as próprias vontades e, assim, viver preso a um relação uma inconsistência.

Vejo a canção como decepção recheada de ironia. A voz rasgada de Raul intensifica o elemento agressor, dando vazão as discrepâncias de pensamentos até de pessoas que se amam.


07 - Eu Que Não Amo Você, Engenheiros do Hawaii



A aceitação de um término parece dificil de se compreender. Eu Que Não Amo Você, primeira faixa de Tchau, Radar!, álbum de 1999 e nunca reeditado, mostra certa fuga da realidade fria.

A canção nos situa de um termino estabelecido como final abrupto que não se escolhe, mas imposto ao personagem da canção. Diante desde cenário, projeta-se a desolação e uma afirmação em que, tentando permanecer por cima dos problemas, afirma mentirosamente que não ama quem se foi. 

Sem rodeios das canções anteriores, a letra toca o cerne da questão: a sensação de impotência perante o que não é desejado.


06 - Still Got The Blues, Gary Moore



O blueseiro Gary Moore, que saiu de cena há dois anos, produziu esta que seria sua canção mais conhecida em 1990, quase vinte anos após o início de sua carreira. Um riff de guitarra grita no início dando o tom da balada, um homem lamentoso que dedica mais um momento de tristeza àquela que foi amada
.
O blues se torna duplo, tanto é a tristeza azul, expressão muito utilizada no inglês, como o próprio estilo que consagrou Moore, tornando-se uma referência a própria música.

Perante a relação terminada, além da tristeza sobrou o blues como lamentação que se projeta na canção. O grandioso solo final é o choro incontido após a consciência do fim. O solo foi julgado em 2008 como o plágio de uma canção alemã mas Moore afirmou que, na época, não havia nenhum registro possível para que tivesse ouvido e copiado o solo. De qualquer maneira, original ou não, o solo fecha com primor a canção visceral sobre perda.


05 - Detalhes, Roberto Carlos



Roberto e Erasmo Carlos compuseram, principalmente, na década de sessenta e setenta um dos cancioneiros mais coesos da música sobre o amor. Foram da paixão juvenil espelhada pela jovem guarda a desilusões amargas da maturidade, passando por amores devotos e relações breves mas profundas.

Detalhes é um dos grandes ápices, oriundo de um dos primeiros discos do Rei na década de 70, sem título além do nome do artista.

Também refletindo amargura e certo orgulho, a personagem dialoga com a antiga amada em uma última canção devota. O outrora amor torna-se uma sequência de fatos que demonstram a importância que o amor deixado será na vida futura da pessoa em questão.

A letra cresce a cada verso em que a personagem se projeta em sombras no futuro de quem o deixou. Mesmo sem a presença física, é memória viva impossível de ser ignorada. Tema semelhante será versado por Capital Inicial em Eu Vou Estar. Demonstrando que, não importa o gênero musical e nem o estilo de composição, o amor sempre se ilude e retorna como raiva.

Roberto realizou diversas gravações da canção. Além da original, destaco a acústica em que o Rei dedilha a base da canção em um violão e, ainda hoje, anos depois da gravação oficial do acústico, utiliza este recurso em seus shows. 

A lírica se destaca também pela lucidez, reconhecendo que o decorrer do tempo desfia as certezas deste amor tão vívido. O final da versão acústica tem um não – do verso não adianta nem tentar me esquecer – dito a meia voz, mais próximo da fala do que do canto, intensificando a sensação de importância – e de certa arrogância – da personagem da canção.



04 - For No One, The Beatles



Paul McCartney sempre explorou a sensibilidade em canções que, pela leveza ou simplicidade, reproduziam uma espécie de crônica da vida. The Fool On The Hill fala a respeito do deslocamento perante outros, Here, There and Everywere sobre a constância do amor, e tanto Eleanor Rigby quando For no One representam quase que definitivamente canções sobre a solidão.

Em For No One o espaço vazio da vida não parece uma história específica, o que universaliza a sensação de vazio. Dois minutos são os necessários para que Macca seja avassalador sobre o instante que transforma o amor em nada. A visão, porém, não é irônica. É vista de maneira objetiva, o que explica a afirmação de crônica, e fazendo da canção uma das mais profundas sobre o tema, que se projeta pela ausência de alguém amado.

Desde o início da canção – e peço perdão por não saber os termos técnicos – as notas graves do piano e do baixo ecoam na canção, deixando que cada acorde termine no vazio. As notas são exploradas ao máximo, sabiamente usando o silêncio como aliado até mesmo nos acordes finais da canção, que deixam no ouvinte a sensação de um fim abrupto que nenhuma palavra é capaz de preencher.


03 - Trocando Em Miúdos, Chico Buarque



As famosas canções de Chico Buarque com personas femininas não são aterradoras quanto Trocando Em Miúdos. Talvez errôneo seja interpretar a canção como um personagem masculino já que parece proposital a dúvida.

Desde o título é evidente as cinzas de uma relação fragmentada. O que sobrou do amor são apenas espólios e caixas do que ficam e do que vai. O carinho parece falso em versos que desejam bom futuro a amada, uma maneira tímida e educada demais com aquele que nunca será visto.

A personagem rememora o passado, as tentativas de futuro e cai no desolamento. Como a canção anterior, seu tempo é curto mas a atmosfera pesada. O orgulho se mantem nas lágrimas contidas, na dor que se explicita pela interpretação amargurada de Chico, repleto de pausas que parecem segurar o choro, em destaque para um trecho em que sua voz parece embargar.

O final é um desfecho morno e não desejado, como todos os términos são. O leve fechar da porta da frente e a triste constatação de que, tão perdido que está, tem consciência de si apenas na carteira de identidade como objeto físico já que tudo está desfacelado pela dor.


02 - Não Me Arrependo, Caetano Veloso



Caetano Veloso revitalizou-se em Cê, de 2006, pesando nas guitarras mas não deixando a lírica de lado. Em Não Me Arrependo, que não explora a verve roqueira, apresenta um fim que, ao contrário das canções vistas até aqui tem viês memorialista que reconhece a dor mas também as lembranças positivas da relação.

É lucidez perante as canções que cospem um coração corroído. De peito aberto, Caê não arrepende-se do passado, reconhecendo que, pelo bem ou pelo mal, a relação gerou frutos. Tendo a consciência de que houve um tempo permanecido juntos e que tal realidade vivida a dois, talvez só reconhecida pelo casal, é mais forte do que o cinismo que sobra e sempre tende a ecoar no fim.  

É uma canção triste que observa por um outro viés o mesmo sentimento. Afirmando que as histórias, boas e ruins, são levadas até a morte por aqueles que a viveram e que, talvez por isso, devam ser levadas em conta em vez de ignoradas ou arrependidas.

Caetano intercala a voz doce entre tom graves e agudos, falsetes utilizados em toda sua carreira e constantes nessa revitalização de si.


01 - A Seta e o Alvo, Paulinho Moska



Com vinte anos de carreira solo, A Seta e o Alvo de Moska continua sendo uma das canções mais viscerais de seu cancioneiro que muito versa sobre amor e raramente contempla o amor que se foi abstendo-se de ironia.

Observando sua discografia, a canção se localiza anterior a outros futuros álbuns que apresentam agressivas canções de amor. Aqui dois mundos supostamente semelhantes são postos em xeque, evidenciando suas naturezas diferentes em comparações que intensificam o abismo do casal.

Não é uma canção que fala explicitamente de um término, porém, perante tais comparações insinua-o fortemente, dando-nos a sensação de um amante que deseja o avanço e outro que permanece estagnado e imóvel. Dois mundos que, embora orbitem juntos, são diferentes.

Reconhecendo que algumas canções de Moska são autorais, A Seta e o Alvo é música que ninguém gostaria de ser reverenciado. Mesmo não conhecendo as personagens reais, se é que existiram, a mensagem é poderosa e leva ao limite a situação de que é impossível dar-se ao máximo a alguem quando está pessoa não deseja. A poética de cada verso é tão poderosa que o refrão – É a seta no alvo, mas o alvo na certa não te espera – torna-se banal. Os versos eu olho pro infinito e você de óculos escuros, eu digo te amo e você só acredita quando eu juro e eu me ofereço inteiro e você se satisfaz com metade identificam bem a discrepância da relação, além de serem incríveis por si.

Moska gravou oficialmente a canção quatro vezes. No álbum Contrasenso, de 1997, e em três álbuns ao vivo: Através do Espelho: ao Vivo no Rival, em que reproduz a melodia original ao vivo, + Novo de Novo, de 2007, em voz e violão, com uma maior urgência em cantá-la que termina em versos entoados em diversos tons sequenciados. Na nova gravação lançada este mês em Muito Pouco Para Todos, a canção volta ao formato original e os violões acompanham as guitarras.

Independente das versão é uma daquelas canções que nunca parecem perder sua forma sendo nova a cada audição.

________________________________________

Esta lista do Thiago mostra mais uma vez como ficaram bem díspares as listas dos convidados, essa foi para um caminho mais triste e uma análise mais profunda das músicas. Duro acrescentar algum item a uma lista tão intimista, mas acho que Backstreets do Bruce Springsteen seria uma boa adição.


Os 10 Michaels mais legais do mundo



Quando pedi uma das lista para meu querido amigo Vinicio dos Santos eu sabia que receberia algo engraçaralho. É o estilo dele, ele não consegue fugir disso, POMBAS, ele escreveu um (excelente) livro neste estilo! Bom, para quem não conhece o Vinicio ele é o fundador do Puxa Cachorra, um excelente e quase-mega-famoso blog de humor que está em férias quase-definitivas! O Vinicio também é um dos meus melhores amigos e fez faculdade comigo, participou do projeto de blog quase-literário Quatro Patacas, além de ter quebrado a garrafa d'água da minha mãe e apanhado no meu lugar em uma festa! Leiam a lista e depois vão dar uma olhada no blog de ensino de inglês (Ensination é um nome quase-genial) do rapazola pra ver se aprendem alguma coisa!



10. Michael Sullivan



A gente gosta do Michael Sullivan do mesmo jeito que gosta de tirar radiografias: na hora é divertido, mas sabemos que, com muita exposição, uma hora vai dar merda. Mas não se pode negar crédito ao cara: não fosse ele e a Xuxa não seria uma ex-modelo que só Deus sabe porque cantava num programa infantil, mas uma ex-modelo que só Deus sabe o que estava fazendo num programa infantil. E outra: não fosse Michael Sullivan, não saberíamos como na vida é tão bom ter amigos, amigos de fé, amigos-irmãos.


9. Michael Bay



Confesso: eu tinha pensado em Michael Mann. Mas quem estou querendo enganar, eu gosto muito mais de Armageddon do que de Fogo contra Fogo. Pensem: Al Pacino x De Niro ou Asteróide x Bruce Willis? A verdade é que ninguém explode coisas tão bem quanto Michael Bay – HÁ, até rimou!


8. Michael Jordan



O Jordan era um atleta tão foda e tão importante que se você nunca gritou o nome dele enquanto fingia uma enterrada é porque era mudo ou não tinha braços. E ele ainda nos salvou de uma invasão alienígena enquanto era babado pelo Patolino.


7. Michael Moore




A coisa que mais admiro no Moore é como ele converteu um problema – uma pança enorme – numa solução – um suporte perfeito para uma câmera. E, já que tinha apertado rec, podia ir atazanar políticos e empresários. No fundo, Michael Moore é um CQC que não vota no Serra.


6. Michael Kyle



Único dos Wayans que você deixaria colocar o pé na sua casa, Michael Kyle tem a vida dos sonhos de todo humorista: um trabalho inexistente e uma família cuja única função é servir de escada de piada. E Eu, a patroa e as crianças aparece mais no SBT do que as inserções subliminares da Jequiti.


5. Michael Schumacher



O que eu mais gosto no Schumi é que, nos tempos de ouro, ele era o melhor piloto com o melhor carro da melhor equipe – e não se sentia mal por isso em momento algum. Schumacher entrava nas corridas para ganhar, e aí esperar até a semana seguinte para ganhar de novo e na semana seguinte sai da frente Rubinho, mas você ganhou semana passada, foda-se e olha que eu conto para o Casseta e Planeta tudo o que eu sei. Para Schumacher, o importante é competir - do segundo em diante.


4. Michael Bluth



Numa família onde todo mundo é desajustado e zoado, Michael Bluth tem um papel fundamental em Arrested Development: poupar você do trabalho de cornetar aqueles personagens, porque ele já está fazendo isso, dentro do programa. E como a série é de uma genialidade sem fim, pode ter certeza de que ele está trollando os outros melhor do que nós todos.


3. Michael J. Fox



Quando descobrimos no final de Kubanacan que Estevan voltou no tempo só para comer sua própria mãe, gostamos ainda mais de Martin McFly que, se muito, só tentou enriquecer com resultados esportivos. De Volta para o Futuro é a melhor trilogia do cinema e um pedação disso é graças ao carisma de Michael J. Fox, que, mesmo tentado, teve a dignidade de recusar dar uns amassos com Lorraine.


2. Michael Scott



Quando seu chefe é o que há de mais cretino na empresa, você não se sente mais tranqüilo em passar o dia fazendo lambança? Pois esse é Michael Scott: o pior chefe do mundo numa das minhas séries favoritas de todos os tempos, The Office. Scott é o cara que, quando disseram que ele deveria declarar falência, ele subiu num banquinho e gritou “Falência!!”.


1. Michael Jackson



Já se disse tudo sobre Jacko, então eu direi algo que ninguém nunca falou: “Natureza Humana”, versão de “Human Nature” cantada pela Dulce Quentau é boa. Nah, só queria fechar a lista com polêmica. É uma bosta.

__________________________________________

Para complementar a lista do Vini, só a curiosidade que ele tirou a ideia estapafúrdia de uma lista que nunca terminei para o Puxa Cachorra, Os 10 Bruces mais poderosos do mundo.