terça-feira, fevereiro 08, 2005

Ilusão

Vovó me falou que eu era lindo,
que todo mundo me amava.
Vivia a ilusão materna,
como que no mito de Platão.
E a luz se fez(ela sempre se faz),
foi como um poste dentro de uma caixa de aliança,
um fogo pálido que desfez e eu vivi pra sempre a ilusão.

Hoje escrevo as palavras como se fossem ficção,
e me dói,
e me dói.

Me dói saber da cegueira das mães,
me dói saber da visão dos outros,
me dói não ter coragem de ficar despido.

Escrevo e morro de desespero.
Escrevo e sei, e sei do medo que tenho.
Escrevo com a tinta dos enganados,
porém eu sei que o mundo não esconde as garras.

O mundo fincou presas em mim.
(Arthur de Oliveira Malaspina)

* Como é carnaval me lembrei dessas músicas:

MENTE AO MEU CORAÇÃO-Paulinho da Viola
(Malfitano/Pandia Pires)

Mente ao meu coração
Que cansado de sofrer
Só deseja adormecer
Na palma da tua mão
Conta ao meu coração
Estórias das crianças
Para que ele reviva
Velhas esperanças
Mente ao meu coração
Mentiras cor de rosa
Que as mentiras de amor
Não deixam cicatrizes
E Tu és
A mentira mais gostosa
De todas as mentiras que tu dizes

TIVE SIM-Cartola
(Cartola)

Tive sim outro grande amor antes do teu,
Tive sim
O que ela sonhava eram os meus sonhos
E assim íamos vivendo em paz
Nosso lar
Em nosso lar sempre ouve alegria,
Eu vivia tão contente como contente ao teu lado estou.
Tive sim, mas comparar com o teu amor seria o fim
E vou calar, pois não pretendo amor te magoar.



* São músicas tristes, como os sambas antigos costumavam ser, mas tem porquê,
afinal acho que o carnaval é um pouco triste também.