quarta-feira, junho 26, 2013

Porque não gosto de futebol

Manifestação em Araçatuba em 18/06/2013

Eu e meus amigos do mestrado aderimos à manifestação e fomos para as ruas de Araçatuba. Muitas frases foram gritadas, mas a que eu mais gostei (e foi a que gritei com vontade) foi "Brasil, vamos acordar, o professor vale mais que o Neymar''. Bem, quem me conhece, pelo menos um pouco, sabe que eu não sou fã de futebol. Não torço para nenhum time! (as vezes gosto de encher o saco de amigos CUrintianos, principalmente do Sr. Arthur, que adora futebol e adora falar de futebol, em especial do seu time) Já tentaram me influenciar para eu virar são paulina, palmeirense e até corintiana! Até ganhei uma blusa do São Paulo, presente de uma amiga corintiana! Só que mesmo assim continuo não torcendo e não gostando muito de futebol. Não sei dizer o porquê nunca gostei, mas eu sei que fico inconformada com essa super valorização do futebol. Deixar bem claro que não sou contra o futebol, mas sim a super valorização e também as brigas entre times. Por enquanto vou focar no primeiro item: Como é que pode no Brasil os jogadores de futebol terem mais prestigio que os professores? Alguns são tão idolatrados e transformados em Deus! Na copa do mundo o Brasil parava para assistir o jogo e ano que vem, como vai ser? Agora gritam para o Brasil acordar, mas nosso povo vai lembrar disso ano que vem? 2014: ano da copa, ano da eleição! Será que o grito de hoje vai virar consciência para votar ano que vem?

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Essa semana a Daniela Matono resolveu escrever sobre sua experiência nas manifestações e acabou por fazer um texto falando porque não gosta de futebol. Espero que tenham gostado.


quarta-feira, junho 19, 2013

Qual a verdadeira função da PM?

foto de Rodrigo Paiva, Folhapress


Vamos começar uma reflexão, ok? Pensemos em uma corporação, uma instituição, que seja anacrônica, que esteja no papel para cumprir uma função específica, mas que na verdade você realmente nunca viu mesmo ela fazer.  Pense que você já viu, ouviu, leu sobre ela fazendo várias outras funções que vão de encontro à função primordial que ela teoricamente tem. A polícia militar se encaixa plenamente nessa descrição.

Com as dezenas de protestos e milhares (talvez milhões) de pessoas indo às ruas no país nos últimos dias vários tópicos estão em pauta na internet, o peleguismo da dita “imprensa” tradicional, as muitas (e talvez desconexas) reivindicações, pessoas aproveitando as manifestações para depredar, o “despertar” de uma adormecida consciência política na população brasileira, a preocupante tendência de muitas pessoas de sempre serem a favor de figuras de autoridade... muitas mais, mas nenhuma me parece tão urgente quanto o questionamento das atitudes e da própria existência da instituição da polícia militar no Brasil.

Durante as manifestações que ocorreram e que ainda ocorrem no Brasil, a PM de vários estados foi acusada e flagrada cometendo atos covardes e violentos contra os manifestantes. São atos que não podem ser negados, pois foram registrados por câmeras de TV e – principalmente – por celulares de cidadãos comuns que participavam dos protestos ou que simplesmente estavam nos locais.Essa fúria com que a PM atacou os manifestantes se acentua quando vemos que até pessoas fora do contexto da coisa foram agredidas sem distinção, como jornalistas e passantes.

Ouvi muitas (muitas mesmo) pessoas “argumentarem” que a polícia apenas reagiu à provocação dos manifestantes e que devemos nos colocar no lugar do policial. Bom, várias pessoas nas manifestações e alguns jornalistas consagrados disseram que a violência começou do lado dos policiais, o que invalida por si só essa argumentação. Mas suponhamos que os manifestantes tenham começado. É válido que os policiais revidem violentamente? Claro que não, eles são treinados e pagos para cumprir a lei e proteger o cidadão, não para imporem a vontade do poder executivo e abafarem opiniões!

Algumas figuras públicas chegaram a dizer que os manifestantes ofenderam os policiais e por isso é justo que eles revidem. Não me parece o caso. Pelo menos, na educação que tive em casa, nunca imaginei como válido agredir alguém que me ofendeu. E nem é legal, os policiais no máximo poderiam ter detido os indivíduos por desrespeito e os encaminhado pacificamente à delegacia. Não foi o que ocorreu.

Outros casos graves partindo a polícia foram os relatos de pessoas detidas por porte de vinagre. A polícia não pode encaminhar ninguém à delegacia para “averiguação”, muito menos se a base das suspeitas é a posse de algo plenamente legal, como o vinagre.

Mas deixemos de lado as acusações, eles são muito numerosas e ficaríamos a vida toda aqui se eu resolvesse enumerá-las. Vamos refletir sobre o que me propus no começo do texto. A PM está agindo de acordo com a sua função, que é proteger a população? Não consigo ver como possam estar fazendo isso, já que estão simplesmente agredindo e reprimindo as manifestações legítimas dessa mesma população que teoricamente protegem. É um contrassenso. O que vemos é uma instituição que deixa de cumprir sua função de protetora para cumprir ordens vindas de esferas superiores de poder. Mesmo que este poder seja “legitimado” democraticamente, ainda assim as ordens são claramente ilegais e as cumprindo a polícia não apenas deixa de proteger o cidadão, como também deixa de cumprir a lei. Oras, qual a função de uma polícia que não protege a população e nem cumpre leis? Respondo, a função de reprimir o livre pensamento e o direito democrático legal de exprimi-lo.

A Polícia Militar em si é um oximoro, já que a ideia de polícia, no mundo todo, costuma ser de uma instituição civil, sendo que a polícia militar é normalmente apenas a polícia interna do exército, que cuida dos delitos e crimes acontecidos dentro dos quartéis. No Brasil herdamos essa instituição de nosso longo período de regime militar. A PM, portanto, é anacrônica, perversa e desnecessária, já que a polícia Civil é que deveria estar fazendo as funções dela (claro que com um aumento significativo de aparato).


Deixo aqui os questionamentos: é realmente necessária e benéfica a existência da polícia militar no Brasil? Não seria melhor extirparmos ela do cenário nacional, como resquício da ditadura que é e reestruturarmos toda a ideia de segurança pública nacional em torno de uma polícia civil? Não seria agora a melhor hora para fazermos isso?

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Atualizado: Dica do amigo Fábio Gerônimo, um excelente texto de Vladimir Safatle sobre a extinção da polícia militar: Clique aqui para ler

quarta-feira, junho 12, 2013

Pedido



Em cena: um homem e uma mulher

H: Pensei estar livre,
     pensei estar são,
     te encontrei então.

M: Oras, quer dizer então
     que fui sua perdição?

H: Sim, de certa forma...

M: Mas o que te prende a mim?
     Simplesmente vá embora!
     Se é o que quer, sim, sim,
     se teu coração implora!

H: Não, meu coração
     não é assim não,
     nele não há lógica.
     Caí em tua mágica.

M: Então sou uma feiticeira?
      Uma bruxa traiçoeira?

H: Não, não traiçoeira,
     nunca traiçoeira,
     só emana teu
     feitiço e então eu,
     encarando o abismo,
     desesperado fico
     te querendo ao meu lado.

M: Então me queres ao teu lado?

H: Sim, e para sempre
     e eternamente,
     se eternas podem
     ser as coisas!
     Te quero como noiva
     e como esposa,
     para te cuidar
     e amar enquanto possa.
     Qual é tua resposta?

M: Não sabe? não imagina?
     Quero unir tua vida à minha,
     te digo sim então.

H: Dê-me tua mão.

M: Darei mais, te darei tudo.
     Eu serei teu mundo,
     tu serás meu mundo.

H: Aqui, neste momento,
     alcancei meu intento.
     Não há mais nada a se dizer.
     Agora, vamos viver!

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Olá pessoal! Essa semana voltei a escrever solo pro blog. Aproveitei a data comemorativa (dia dos namorados) pra escrever um texto do tema. Como podem perceber, é uma cena dramática - que são os textos que mais gosto de escrever - em versos. Apenas duas personagens, pra criar uma dicotomia (e porque se encaixa ao tema). Tentei manter as falas do Homem em redondilhas menores e as da Mulher em redondilhas maiores, mas em alguns versos diminuí ou aumentei uma sílaba, quando achei que o verso ficava mais bonito desta maneira. As rimas não seguem um padrão rígido, apesar de aparecerem vários dísticos. Espero que gostem.

quarta-feira, junho 05, 2013

Reflexos e Reflexões




Reflexo e reflexões
Quem eu sou, quem eu fui e quem serei...
Apenas reflexo e reflexões.
Daniela Matono



.............EU U$
parado em frente ao espelho
a imagem me mostrando o que não vejo
Arthur Malaspina



espelho abre porta
olhar de peixa morta
refleti
Leandro Durazzo


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A postagem dessa semana é um pouco diferente, foi feita em cima de um tema, esse mesmo título que dá nome ao post, Reflexos e Reflexões, e cada um dos três autores escreveu um pequeno poema de três versinhos sobre o assunto. Como vocês puderam ver, os resultados foram completamente diferentes um do outro, A Daniela, que foi quem teve a ideia da "brincadeira", também se baseou eu uma foto dela mesma para escrever seu poema, que é esta que ilustra a publicação. Espero que tenham gostado.