quinta-feira, agosto 29, 2013

A Solidão





A partir de hoje começaremos uma nova série de postagens no Han, com autores completamente novos. Fizemos um chamado na nossa fan page do facebook para autores novos que quisessem publicar um texto no Han, a ideia era simplesmente criar vontade de escrever nas pessoas, o que é um empurrão importante para criar hábitos de leitura e escrita. Eu sou professor de português, convivo diariamente com o problema da falta de hábito de leitura e fico feliz de poder fazer o que posso para ajudar a melhorar isso.

A Daniela começou a escrever esse ano, coisa que ela nunca havia feito antes e pode-se dizer que tomou amor pela coisa. Partindo do exemplo dela abrimos este espaço. Então, a partir de hoje, toda última quinta do mês publicaremos um autor novo (caso tenhamos autores interessados sempre, é claro). Hoje começamos com uma autora iniciante que prefere ser chamada de Tempestade




O texto abaixo reflete coisas muito pessoais dela, portanto ela nos pediu para que usássemos este pseudônimo. Mas desde já digo, seja bem vinda! Espero que gostem do texto:

A Solidão

Tem dias, que ela chega, sem antes avisar... chega perto e te abraça... e abraça como uma amiga íntima, mas você não a quer... não quer que ela seja íntima sua...

Ela: “A Solidão”... chega sem dó... penetra em sua alma sem pedir permissão, invade seus pensamentos e coração como uma doença que se espalha rapidamente pelo organismo, sem dar chance para o seu combate, ela corrói, ela maltrata, ela usa sua energia para ficar mais forte... ela quer ficar e não tem data para partir...

Você pode senti-la, sim... você a sente correndo pelas veias e artérias, com uma força voraz... uma força sem controle algum, ela te consome gota por gota...

Mas você sabe que precisa ficar lúcido, precisa ficar atento... antes do bote final...

Mas não sabe como agir nem o que fazer... você já não possui mais forças, e o desejo maior é que ela acabe com você o quanto antes... o duro, é que ela não quer acabar com você, ela quer companhia, pois também se sente só.

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Só lembrando a todos que ainda podem mandar seus textos para análise no endereço de e-mail do blog: hanatirouprimeiro@gmail.com

quinta-feira, agosto 22, 2013

As coisas que tenho



O que eu tenho?
Um peito ferido,
um coração aberto,
fagulhas que queimam,
uma falta de fôlego
que não me deixa prosseguir.

O que eu tenho?
uma dor aguda,
um sorriso inconstante,
uma corrente que arrasta,
um vazio profundo,
um nada.

O que eu tenho?
uma desesperança,
uma rosa despedaçada,
uma luz sibilante,
um breu sufocante,
uma falta de vida,
um portão que se fecha.

O que eu tenho?
uma fenda aberta,
uma fúria de imagens,
um monstro gigante,
um algo
que não é, não foi,
nunca será.

O que eu tenho?
um lance de escadas
que nunca termina,
um punho fechado
de encontro a face,
um arrastar de pés,
um arrastar de alma.

O que eu tenho?
uma dica incompleta,
uma trilha deserta,
uma falta de tudo,
um rato nos restos,
os restos sem nada,
só sobras.

O que eu tenho?
uma dor aguda,
uma espera infinita,
um porão escuro,
uma fresta num muro,
um lugar sem lei
e sem lógica,
dentro de mim.

O que eu tenho?
um tropeço na calçada,
uma corça correndo,
um coelho fugindo,
uma dúvida intensa,
uma pá e uma vassoura,
pra recolher meus pedaços.

O que eu tenho?
um pôr-do-Sol,
nenhum amanhã,
um peixe no anzol,
uma devastação,
uma cara no espelho,
uma tristeza no olhar.

O que eu tenho?
uma melancolia,
uma frustração,
um impedimento,
um muro gigante,
um murro na faca,
uma partida, afinal.

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Esta semana um poema (quase nunca tem né :P ) bem triste e pessimista, mas de que gosto muito. Espero que gostem também.

Não sei se viram no facebook, mas o Han está a procura de novos autores para escrever, na verdade, de autores novatos. A ideia é publicar textos de autores que nunca publicaram nada em blogs, ou mesmo que nunca escreveram nada. A Daniela mesmo, antes de começar a publicar seus textos aqui, nunca havia escrito e agora tomou gosto pela coisa. Caso se interessem, mandem um e-mail para hanatirouprimeiro@gmail.com 

quinta-feira, agosto 15, 2013

Turma da Mônica - Laços




Laços, obra dos irmãos Vitor e Lu Cafaggi é um soco na boca do estômago.

Penso sempre ser bom começar um texto com uma frase de impacto e a acima representa, de certa maneira, tudo que senti lendo a obra. Aqui, Mônica, Cebolinha, Cascão e Magali são os personagens de sempre e apesar do traço diferente (e lindíssimo) adotado, todas as nuances de personalidade a que estamos tão acostumados estão presentes e são muito bem trabalhadas. Basicamente o álbum trata do sumiço do Floquinho e de seu dono, Cebolinha, indo procurá-lo junto com seus grandes amigos. Mas o álbum é maior que isso, este é um pano de fundo traçado para conter uma linda história de amizade, companheirismo, diferenças e uma pureza pueril que perpassa as páginas .

O álbum traz várias referências a filmes dos anos oitenta, como Goonies, Lost Boys, ET (reparem na maneira como o mundo infantil é colocado como sobrepondo o mundo "real", "adulto") e principalmente Conta Comigo (a linha narrativa é muito parecida) e a maior contribuição destes filmes é na atmosfera mágica de infância "de verdade", a infância que pessoas da minha idade se lembram com saudosismo.

O título é perfeito pois a construção dessas amizades, a ligação profunda entre essas crianças é trabalhada a cada quadro, culminando em uma lembrança ao final do álbum que, confesso, me arrancou lágrimas. E esta não foi a única vez que chorei lendo as 75 páginas que compõem a obra. Laços é capaz de te levar das lágrimas ao riso e de volta às lágrimas em poucos quadros, característica básica das grandes obras de arte.

Penso que talvez meu raciocínio esteja sendo turvado pela incrível dose de saudosismo que o álbum desperta, mas quem pode dizer que não teve a infância marcada pela turminha? Eu declaro, sem nenhum exagero, que a Turma da Mônica foi a referência mais importante da minha formação e inclusive aprendi a ler com os gibis da turma (sob supervisão de minha querida mãe).

Não falarei aqui de nada da trama fora aquele fio narrativo que expus anteriormente, porque não quero tirar nenhuma parte da incrível experiência que é ler essa HQ e ter seus sentimentos, suas lembranças e seu âmago chacoalhados pela dupla de autores.

Laços é - até agora - a melhor HQ de 2013, sem nenhuma concorrente nem chegar perto dela. Continuando a alta qualidade da série Graphic MSP, iniciada pela também belíssima Astronauta - Magnetar de Danilo Beyruth, mas levando a experiência ainda mais longe, já que é melhor que sua predecessora - e devo dizer que ajuda muito trabalharem com personagens tão famosos e queridos do público, pois o leitor já vem de peito aberto, para reencontrar não só um velho amigo, mas um melhor amigo de infância. Facilidade que Beyruth não teve com o Astronauta, excelente personagem, mas sem os mesmos laços afetivos com o leitor que a boa e velha turminha tem.

Mais do que a melhor HQ do ano, Laços é uma das coisas mais bonitas que li em toda a minha vida e vai permanecer comigo, dentro de mim, para sempre. Obrigado Vitor e Lu, vocês são incríveis.





cotação:
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Fazia um bom tempo que não resenhava nada aqui no Han, então talvez não tenha ficado tão fluido como costumava ser, mas espero que tenham gostado. Gostaria de deixar neste espaço um agradecimento também para o grande Maurício de Sousa, não só por ter criado as personagens, mas também por ter arriscado, nessa altura da vida, esta abertura para novos artistas criarem sobre sua obra. E também pelo belíssimo prefácio que escreveu para esta edição. Outro a quem todos devemos agradecimentos é o Sidney Gusman que além de grande entusiasta dos quadrinhos nacionais, foi o editor do álbum e idealizador da ideia do Graphic MSP.


quinta-feira, agosto 08, 2013

A Carta




Caro estranho,

          O silêncio que tanto me enlouquecia, e que nunca fez parte da nossa relação, agora é a minha resposta para você, um completo estranho. Você não precisava me ignorar pessoalmente, fingir que eu era um estranho e que não éramos nada. Agora você me trata assim e eu digo: você construiu um muro; agora eu solidifico, você construiu um abismo, agora eu aumento; você desconstruiu nossa amizade, agora eu coloco um ponto final. Apenas saiba que minha dor não é pela perda de um amor que nunca quis e sim um amigo que sempre queria ter por perto.

Att.

              Alguém que você costumava conhecer.


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Essa semana outro texto da Daniela Matono, para compensar a ausência de 3 semanas dela no blog. Desta vez uma carta escrita em cima da música Somebody that I used to know do Gotye (a Daniela costuma escrever baseando-se em músicas, como já devem ter percebido). Espero que gostem.


quinta-feira, agosto 01, 2013

Amor à primeira vista




Nunca acreditei em amor à primeira vista, mas por causa de você agora eu acredito. Eu sei que você foi magoada, fizeram desacreditar no amor, mas o que eu peço é apenas uma chance para provar que te amo. Acredite minha querida, acredite em mim, não odeie todas as rosas porque apenas uma te espetou... Não jogue fora sua oportunidade de ser feliz porque uma tentativa não deu certo. Dê essa chance e provarei que você está errada. Não fique com medo de permitir que seus sentimentos apareçam, saiba que eu não vou brincar com eles. Eu não quero te machucar, quero te amar, pois quando te conheci sabia que o nosso destino era ficar juntos. Te amo... deixa eu provar esse meu amor, minha querida!

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Arthur: Finalmente a Daniela Matono volta ao blog, junto com as aulas! E volta com um bonito continho de amor, espero que gostem. Até semana que vem.

Daniela: Faz parte do ser humano acreditar no amor, nem que for lá no fundo... E amor à primeira vista? Bem, isso é de cada pessoa! Se acredita ou não, eu não sei, mas sei que meu texto no blog é sobre amor, mas especificamente sobre amor à primeira vista... Divirtam-se....