sábado, setembro 27, 2014

Marília





Quando Marília morreu eu chorei.
Não de tristeza, nem de dor, mas por medo de algo pior.

Quando Marília morreu, eu sofri.
Não por amor, nem por dor, mas por medo de algo pior.

Quando Marília morreu, eu me perdi.
Não por falta, ou por dor, mas por medo de algo pior.

Quando Marília morreu, eu me odiei.
Não por culpa, ou por dor, mas por medo de algo pior.

Quando Marília morreu, eu temi.
Não por dúvida, ou por dor mas por medo de algo pior.

Quando Marília morreu, eu tremi segurando a faca dentro dela
e sentindo, aquele sangue tão quente escorrer por meus dedos.
Eu temi por algo pior.


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Esta semana resgatei um texto antigo, publicado anteriormente o finado Os Caras do Clube. Acho interessante de vez em quando resgatar coisas antigas, já que o público é provavelmente diferente. Acaba parecendo coisa nova :)

Como podem reparar é um poema feito para ser perturbador, espero que tenha atingido o alvo.


sexta-feira, setembro 19, 2014

Meu Jardim





Poucas coisas são tão belas
Quanto as flores de meu jardim
Tão formosas, tão singelas
São amarelas, azuis e carmim.

Poucas coisas são tão lindas
Quanto estas flores pra mim
São eternas, não são findas
São perfeitas, enfim.

Só respiro calmamente
Porque sei que estão ali
Me esperando alegremente
Na entrada do meu jardim.

A tristeza que me acomete
Tão veloz, que não tem fim
É que me lembrei de repente
Que na minha casa não há jardim!

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Esta semana resolvi colocar um poema que escrevi há um tempinho. Gosto muito dele, espero que gostem também!


quinta-feira, setembro 04, 2014

Retrovisor





Ainda um presente na forma de passado. Te vejo, e você sempre querendo me alcançar. Te vejo como tivesse vendo num retrovisor: a minha maior preocupação é o que vejo na minha frente, mas não posso descuidar com que esta atrás de mim.  Você não entende que já esteve ao meu lado, mas agora você faz parte do que eu já fui. Vou acelerar o meu carro e deixar de vê-lo no meu retrovisor.  Te quero como meu passado. Apenas um adeus e um ponto final.

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Essa semana a Daniela volta com um conto curtinho sobre amores passados, ela teve a ideia porque bateram no carro dela, da onde tiramos que a inspiração pode vir de qualquer acontecimento cotidiano e não necessariamente ir pelo caminho mais convencional. Esperamos que gostem.